That’s all, folks

É, faz exatamente sete meses que cheguei à Filadélfia. Apesar de ter horas em que eu achava que já estava aqui há uma eternidade, passou rápido para caramba. Rápido mesmo. Não deu para conhecer tudo, ir a todos os lugares legais, voltar naqueles de que mais gostei. Não deu para plantar raízes nesta cidade, para ter um círculo de colegas americanos com quem conviver. Atribuo isso a mim mesma, a minha timidez ou às vezes à birra com lugar tão frio no qual vim me meter. E, claro, à primeira vez fora da minha cidade, do meu país, longe da minha gente.
Eu me percebi mais apegada às pessoas e à vida que levava do que poderia imaginar. Desatar os nós foi dolorido e nem sei se o fiz de fato. Claro, da próxima vez será muito mais fácil e assim sucessivamente, tenho certeza, mas o choque inicial foi grande. E valeu como um aprendizado.
Agora que o frio tá passando, a Filadéldia deixou de ser um fardo – é, podem dizer que mudei de opinião porque estou indo embora. Na realidade, ela te oferece locais muito bonitos e caminhar pelas ruas ainda continua sendo uma boa novidade. Claro, minha constatação de que o gosto musical local é uma porcaria não mudou. Mas talvez (vou conceder essa) eu não tenha ido aos lugares certos. Duvido, mas quem sabe...
Apesar de não poder dizer que fiz amigos americanos, tive o prazer de conhecer gente muito querida e amiga vinda de mil cantos do planeta. Minha festa de despedida reuniu Coréia, Japão, Costa do Marfim, Brasil, Venezuela, Irã, Itália. E ainda ganhei um jantar com a Índia dois dias atrás. Essa interação me fará falta quando voltar. E, por mais paradoxal que soe, estar em uma cidade com muitos estrangeiros nos faz nos sentir um pouco menos fora d’água, menos “diferente”. Imagine se eu tivesse ido parar no Wyoming? Ou no Kansas?
Por fim, esse também foi meu primeiro casamento de fato. Poderia ter sido mais idílico, mais lua-de-mel. Em contrapartida, foi muito mais real. E nos deu mais certeza de que queremos ficar juntos, mesmo se alguns dias forem complicados. Porque vale a pena. E porque, como a Paola escreveu no blog dela e um monte de gente assinou em baixo, eu acredito no amor.
PS: Estou voltando para o Brasil em uma semana e não mais escreverei por aqui. Depois de seis meses e uma semana de Spik Slouli Plis, é hora de dizer tchau – foi muito bom pra mim. Foi bom pra vocês?








